13 de dezembro de 2009

Samuelson, RIP

O velho Samuelson morreu hoje aos 94 anos. Um economista neoclássico de extrema influência, mas que do ponto de vista dos economistas austriacos, errou ao misturar as tecnicas matemáticas da termodinâmica com problemas econômicos.

12 de novembro de 2009

Lógica estatal do setor elétrico

Como de costume, a lógica estatal de lidar com problemas se repete no recente problema do apagão. Culpa-se o clima, raios e condições metereológicas adversas como se isso não fosse comum em todo o sistema de transmissão, que deveria estar prevenido a essas eventualidades. Já se fala que era mais fácil alguém ganhar 2 vezes seguidas na mega-sena que isso acontecer, mas aconteceu.

Além de tudo isso, a resposta de todo o governo federal é que foi apenas um problema pontual e que já foi completamente resolvido. Mas então, porque já estão falando que o setor elétrico precisa de mais investimentos? É a volta da mesma lógica estatal: descobri-se um problema, e ao invés de punir as pessoas (no caso do mercado utilizando o sistema de preços e reputação), mais dinheiro e melhores condições são direcionadas ao problema, como se mais dinheiro estimulando erros fosse resolver o problema.

P.S.: Até o INPE já demonstrou de forma cabal que não pode ter sido queda de raios o motivo do apagão. Fica mais claro ainda a ineficiência e a vontade de esconder a falha.

23 de outubro de 2009

Meus artigos no Instituto Ludwig von Mises Brasil

Revolução Silenciosa - Aqui.
Desestatize o Lixo! - Aqui.
O papel do marketing no livre mercado - Aqui.
IVC - 51 anos de regulação privada no Brasil - Aqui.
Propaganda - Um fator de produção - Aqui.
Liberdade sepultada na Argentina - Aqui.
A propaganda do activia - Aqui.

22 de outubro de 2009

A teoria Neoclássica em Dez Parágrafos

[1] Muito se fala sobre a dita teoria neoclássica. O que ela é efetivamente e o que representa para o mainstream do pensamento econômico? Primeiro é importante lembrar que a teoria neoclássica não é sinônimo do mainstream, ela é a teoria que serve de núcleo analítico para muitos economistas dentro do mainstream, mas não para todos. A grande maioria dos economistas do mainstream não podem ser considerados neoclássicos a rigor, no sentido que aplicam a teoria neoclássica em sua forma pura em todos os casos que analisam (por exemplo, o Krugman não é um neoclássico).

[2] A teoria neoclássica é baseada no individualismo metodológico e no subjetivismo (estático). Ou seja, os fenômenos econômicos são conseqüência (logo, devem ser analisados) das escolhas que os indivíduos fazem. Esses indivíduos fazem escolhas com base numa estrutura de meios e fins, que é dada apriori. Os meios são limitados e os fins são ilimitados, caso contrário não haveria nenhum problema de escolha: O individuo iria satisfazer todos os seus fins dados meios suficientes.

[3] Indivíduos são racionais, logo qualquer meio disponível sempre será alocado para seu fim mais urgente. Podemos chamar os bens de meios e os fins de preferências. Nesse caso se temos um individuo numa certa situação onde que ele tem três bens a sua disposição A, B e C. Se nessa situação o bem A satisfaz uma preferência mais importante do que o bem B (A é preferido a B) e se o bem B satisfaz uma preferência mais importante do que o bem C (B é preferido a C). Nessa situação o indivíduo racional vai preferir A em relação a C (o axioma da transitividade). Nota-se também que cada unidade adicional de um certo tipo de bem será alocada para satisfazer o fim insatisfeito mais importante. Logo a “utilidade” de cada unidade adicional do bem se reduz (ou, no limite, pode ficar constante). Em outras palavras, dado um indivíduo que é indiferente entre duas cestas de bens, x e y, onde que x consiste em três unidades do bem A e uma unidade do bem B e y consiste em apenas uma unidade de A e três unidades de B, então a utilidade marginal de A na cesta x será menor do que na cesta y e a utilidade marginal de B na cesta y será menor do que na cesta x. Como o indivíduo é indiferente entre as cestas x e y, então uma cesta z, composta por duas unidades de A e duas unidades de B, será preferida as outras cestas. Logo, um indivíduo racional sempre vai ter preferências convexas.

[4] Na teoria neoclássica a teoria da produção tem como única função explicar a determinação dos preços dos fatores. Logo é possível compreendermos a formação dos preços dos bens de consumo apenas aplicando as propriedades da escolha individual racional frente a dotações iniciais dadas destes, distribuídas por uma certa população de indivíduos. Cada indivíduo vai realizar trocas com outros indivíduos quando existirem desproporcionalidades das valorações marginais. Nesse caso existe a possibilidade de ambos ficarem numa posição mais satisfatória apenas trocando bens de suas dotações. Por exemplo, usando as cestas x e y do parágrafo anterior, temos dois indivíduos com as mesmas preferências, mas um deles é dotado com a cesta x e o outro possuí inicialmente a cesta y. O primeiro indivíduo prefere uma cesta com uma unidade a menos de A e uma unidade a mais de B e o outro indivíduo prefere uma cesta de consumo com uma unidade a mais de A e uma unidade menos de B. Logo ambos podem trocar uma unidade de A por uma unidade de B e cada um ficará com uma cesta z, que é preferida por ambos em relação às cestas x e y.

[5] Os preços então são determinados da seguinte forma: Dado um conjunto de preços no mercado, cada indivíduo vai ofertar bens cuja sua valoração marginal é menor do que a valoração marginal dos bens que ele pode adquirir por esse preço (ou seja, ele vai trocar bens que ele não valora muito por bens que são mais úteis). O processo continua até que as valorações marginais sejam proporcionais aos preços. Nesse caso temos o chamado equilíbrio do consumidor porque nenhum outro plano de ação com relação ao sistema de preços consegue obter um nível de maior satisfação. Na ausência de produção, o comportamento dos consumidores com relação aos preços e as suas dotações determinam o sistema de preços, que iguala as quantidades ofertadas com as quantidades demandadas. No caso, como cada consumidor iguala as proporções dos preços com as utilidades marginais dos bens, os preços de equilíbrio refletem as razões das utilidades marginais de todos os consumidores. Ou seja, se um bem custa mais caro do que outro é porque a unidade marginal desse bem é capaz de satisfazer necessidades mais urgentes dos consumidores.

[6] A estabilidade do equilíbrio é justificada pelo fato de que qualquer discrepância entre as quantidades demandadas e ofertadas no sistema econômico vai gerar um processo de ajustamento em direção ao equilíbrio. Se a quantidade ofertada é maior do que a quantidade demanda, isso ocorre porque o preço do bem é muito alto, a redução no preço vai reduzir a utilidade marginal relativa que o consumo de uma unidade adicional do bem terá que auferir para que ele faça parte de um plano de consumo de equilíbrio. Logo a quantidade demanda pelos consumidores se elevará, equilibrando o mercado. O inverso ocorre quando temos excesso de demanda. Na economia matemática se usam equações diferenciais para modelar esses processos. Noto que essa explicação para a estabilidade do equilíbrio não é muito boa, na verdade ela apenas assume o que deve explicar. Em outras palavras, se prova que o equilíbrio é estável demonstrando que ele é um equilíbrio. É nesse aspecto que Mises e Hayek se diferenciam do resto dos economistas, ao explicarem como o mercado gera um processo equilibrativo.

[7] Aplicando a teoria podemos deduzir que se a quantidade de certo bem no mercado se elevar, então a utilidade marginal do bem em relação aos outros bens cairá. E como os preços são proporcionais as utilidades marginais podemos deduzir que o seu preço de equilíbrio com relação aos preços dos outros bens será menor. Noto que isso ocorre assumindo que a elevação da quantidade existente do bem não afete as utilidades marginais dos outros bens (o que ocorreria se o bem em questão é complementar de outros bens), logo a queda de sua utilidade marginal absoluta vai provocar a queda no seu preço relativo (caso contrário seria possível que sua utilidade marginal relativa pudesse se elevar com o aumento na quantidade ofertada, mesmo que a utilidade marginal absoluta caísse. Nesse caso o bem pode até se valorizar com relação aos outros bens, mas essa é uma situação limite).

[8] Outra conseqüência interessante da teoria neoclássica é que no equilíbrio as possibilidades de ganho mútuo através da realocação dos bens existentes são esgotadas pelas trocas já executadas. Isso ocorre porque se existe a possibilidade de uma troca mutuamente benéfica ainda não executada, então temos uma discrepância nas razões das utilidades marginais de pelo menos dois consumidores. Mas isso entra em contradição com o equilíbrio do consumidor, já que ao maximizar seu estado de satisfação temos uma situação onde as razões das utilidades marginais de cada consumidor são equivalentes aos preços (que são iguais para todos os consumidores). Em outras palavras, indivíduos racionais jamais vão deixar de realizar uma oportunidade de troca mutuamente benéfica no equilíbrio, já que isso viola uma das definições de equilíbrio de mercado: Que cada plano de ação de qualquer tomador de decisão não deixa de aproveitar qualquer oportunidade de ganho existente. Uma oportunidade de ganho mútuo consiste num estado onde ambos os tomadores de decisão afetados pela existência da oportunidade podem atingir um estado de maior satisfação, logo um plano de ação que deixa de aproveitar essa oportunidade não é um plano de equilíbrio para ambos os indivíduos.

[9] Introduzindo a produção nesse parágrafo explicaremos como ocorre a determinação dos preços dos fatores. Vamos assumir que os indivíduos não são dotados de uma cesta inicial de bens de consumo, mas apenas de fatores de produção, que se combinados podem ser convertidos em bens de consumo. Nesse caso os consumidores demandam fatores de produção que não tem em troca dos fatores que são dotados e com os fatores que acabam adquirindo no mercado produzem os bens de consumo de que necessitam. Nesse caso os indivíduos vão atribuir aos fatores o valor que atribuem aos bens de consumo que correspondem ao produto marginal de seu emprego. Logo, estendendo a teoria do tomador de decisão racional para esse caso um pouco mais complexo, deduzimos que os preços de equilíbrio dos fatores de produção serão proporcionais as suas produtividades marginais, em relação aos outros fatores de produção, e serão iguais aos preços de seu produto marginal (caso contrário os consumidores iriam comprar o produto marginal ao invés do fator se ele fosse mais barato, ou o contrário, caso o produto marginal fosse mais caro do que o fator, logo no equilíbrio eles se equalizam). Por exemplo, essa teoria explica porque que os trabalhadores ganham segundo sua produtividade (o que explica porque a imposição de um salário mínimo gera desemprego involuntário). Demonstro que apenas retornos constantes em escala, no sentido econômico do termo, são admitidos pela teoria, já que se tivermos retornos decrescentes em escala um tomador de decisão racional não vai produzir nessa escala, mas vai distribuir os fatores em múltiplas unidades físicas. Retornos crescentes em escala no sentido que um aumento nas quantidades físicas dos fatores implica no aumento mais do que proporcional do produto, consistem no caso da existência de fatores diferentes de produção. Por exemplo, uma planta grande eficiente e uma planta pequena ineficiente não são formadas por uma mesma cesta de fatores em escala diferente, mas na verdade consistem em fatores de produção diferentes, no caso a planta grande terá seu preço de equilíbrio com relação a planta pequena mais do que proporcional as quantidades físicas dos fatores, sendo proporcional a sua produtividade. Isso ocorre porque como o valor é subjetivo os indivíduos diferenciam os fatores de produção não pela sua produtividade física, mas pela sua capacidade em ser transformado num bem de consumo.

[10] A existência do fenômeno dos juros também é explicada de forma satisfatória pela teoria neoclássica, nesse caso apenas estendemos a análise para a escolha intertemporal. Quando o indivíduo escolhe no tempo suas preferências consistem na taxa de desconto que ele atribuí com relação ao consumo futuro e em comparação com o consumo presente (ou seja, a taxa de desvalorização do futuro em relação ao presente). Nesse caso a taxa de juros para empréstimos representa o preço do tempo, o indivíduo vai tomar recursos emprestados quando a utilidade marginal do consumo presente é maior do que a utilidade marginal do consumo futuro mais os ganhos com os juros. No equilíbrio desse indivíduo a taxa de substituição intertemporal no consumo se iguala a taxa de juros. No caso da produção temos que a acumulação de capital de equilíbrio satisfaz a condição de que a taxa marginal de ganho em produtividade intertemporal se iguala a taxa de juros. Logo os juros são determinados pelas preferências temporais dos consumidores e pelas possibilidades intertemporais de produção. E concluindo: A teoria neoclássica não é incompatível com a austríaca, a verdade é que os resultados da teoria neoclássica consistem em um caso especial da teoria austríaca. Esses resultados se aplicam para os austríacos quando temos um estado onde que os indivíduos possuem conhecimento perfeito com relação ao framework de meios e fins com que se defrontam.

12 de outubro de 2009

Sobre o Nobel 2009

Pelo que eu já li até o momento, esses dois ganhadores do Nobel (um deles eu já sabia) estão bem longe do mainstream econômico e mostram uma tendência muito melhor que a do Krugman (que está muito mais longe ainda da academia, mas não do mainstream).

Devido a falta de pesquisa sobre a pesquisadora e confiança em sites de notícias, acabei comentendo uma falha ao colocar a autora no mesmo "saco" de outros intervencionistas. Me interessei agora seriamente pelos trabalhos e em breve vou comentar mais aqui sobre o assunto.

9 de outubro de 2009

Nobel 2009

Quem vai ganhar o prêmio nobel de economia em 2009?

Eu aposto no professor Israel Meir Kirzner.

Façam suas apostas!

P.S.: Vamos ao porque do meu palpite. O mais importante é porque ele está velho, muito velho, e é bem provável que não dure muito tempo. Segundo que ele tem diversas contribuições impora tantes a teoria economica e é sem dúvida alguma o economista mais importante da escola austríaca vivo. Alguns centros nos EUA já tem relativo espaço para a escola austríaco, e Kirzner é referência entre eles. Pelo que eu acompanhei também, agora que ele aposentou ele anda recebendo muitos prêmios. Por fim, o último prêmio para o Krugman pegou muito mal (porque foi político) e essa é uma chance para a academia sueca mostrar que o mercado veio para ficar e assim freiar esse crescimento governamental.

6 de outubro de 2009

Diretamente do Think Markets

Guilherme Inojosa traduziu o último post do Roger Kopll sobre "Política em uma única lição". Para ler, clique aqui.

3 de outubro de 2009

A Filosofia da Liberdade .

A filosofia da liberdade esta baseada na propriedade de você mesmo, esta simples mais elegante e contundente animação explicará a você exatamente o que isto significa.

http://www.youtube.com/watch?v=B7DVlC3kXrM&feature=related

29 de setembro de 2009

Aniversário do Mises

Hoje, 29 de setembro, é a data de nascimento de um dos maiores (se não o maior) economistas do século XX, Ludwig von Mises. O blog do Rizzo dá um overview da importância de Mises para a economia:

Ludwig von Mises (1881-1973).

28 de setembro de 2009

O Mito Sueco .

Artigo escrito em 07 de Agosto de 2006 .

Recentemente, o chamado modelo sueco - ou seja, o sistema econômico sueco com altos impostos e um estado de bem-estar dos grandes - foi comemorado mais uma vez na imprensa.

O suposto sucesso recente da economia sueca tem permitido estatistas do bem-estar- social tanto dentro como fora da Suécia, argumentar que os impostos elevados e um estado de bem-estar enorme é uma política adequada para a economia. Para entender completamente esta falácia, devemos rever a história econômica da Suécia.

Até a segunda metade do século 19, a Suécia foi bastante pobre. Mas profundas reformas de livre mercado na década de 1860 permitiu à Suécia benefício da disseminação da Revolução Industrial.

E assim, durante o século 19 e início do século 20, a Suécia viu a sua economia em rápido processo de industrialização, impulsionado pelos muitos inventores e empreendedores suecos .

Durante esse tempo, a Suécia realizou extraordinariamente muitas invenções, dada a sua pequena população, incluindo: a dinamite, inventada por Alfred Nobel (que estabeleceu o Prêmio Nobel), o rolamento autocompensador de esferas, inventado por Sven Wingquist (que utilizou para criar a empresa SKF) entre outros .

Além desse momento não houve outro tão importante em relação as invenções realizadas na Suécia: fabricantes de automóveis Volvo e da Saab, e a empresa de telecomunicações Ericsson. Na verdade, com apenas algumas exceções, quase todas as grandes empresas suecas foram iniciadas no final do século 19 e início do século 20, que não foi apenas um período de forte crescimento, mas também o momento em que as bases foram criadas para um crescimento econômico que teve reflexo no futuro da economia da Suécia .

Outro fator que ajudou na prosperidade dessa nação foi o fato de que a Suécia foi capaz de ficar de fora das duas Guerras Mundiais A Suécia é, de fato, o país com o maior período consecutivo de paz, de ter lutado nenhuma guerra desde 1809, quando a Suécia foi invadida pela Rússia, perdendo a Finlândia ao invasor.

A Suécia tem, assim, mais cinco (5) anos de paz que a Suíça, que participou nas guerras napoleônicas, em 1814. Como resultado das suas políticas de livre mercado, a engenhosidade do seu povo, e sua prevenção bem sucedida da guerra, a Suécia teve o maior crescimento per capita no mundo entre 1870 e 1950, dessa forma a Suécia se tornou uma das nações mais ricas do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos e Suíça .

Mas a base para futuros problemas já haviam sido criadas. Em 1932, os social-democratas subiram ao poder, em face da Grande Depressão. E, como Franklin Delano Roosevelt nos Estados Unidos e Adolf Hitler na Alemanha, começaram a expandir o poder do governo sobre a economia. Até 1932, os gastos do governo foram mantidos abaixo de 10% do PIB na Suécia, mas os social-democratas, nos termos do seu líder Per Albin Hansson, quis mudar isso e a Suécia em um remake Frihetssången "(" casa do povo "), um termo sueco Social-democrata adotado dos fascistas da Itália .

Mesmo no início dos anos 1950, a Suécia ainda era uma das economias mais livres do mundo, e os gastos do governo em relação ao PIB foi de fato abaixo do nível americano.

Mas entre 1950 e 1976, a Suécia experimentou uma expansão sem precedentes nos gastos do governo durante um período de paz, com os gastos do governo para o PIB subindo de cerca de 20% em 1950 para mais de 50% em 1975. Praticamente todos os anos, os impostos foram aumentados, enquanto o Estado de bem-estar ampliado continuamente, tanto na forma de um aumento acentuado do número de funcionários públicos com nos benefícios de transferência de pagamento.

Durante os primeiros vinte (20) anos, essa expansão do governo foi implacável aconteceu aparentemente sem efeito, porque a Suécia era beneficiada do rápido crescimento global - embora o crescimento da Suécia já tinha começado a cair em termos relativos, bem acima da média . Isso mudou em 1970 depois de Olof Palme, da ala esquerda do Partido Social Democrata tornar-se Primeiro-Ministro. Palme intensificou a transformação socialista na Suécia, aumentando rapidamente regulamentos anti-negócios e com forte aumento de impostos na folha de pagamento.

A folha de pagamento, aumento de impostos, juntamente com o aumento de reivindicações salariais dos sindicatos, resultou em problemas aos negócios suecos com a diminuição da competitividade em relação aos outros mercados, algo que Palme decidiu resolver através da desvalorização da coroa sueca. Como resultado, a inflação aumentou muito, levando a uma outra desvalorização . O descontentamento popular dos problemas econômicos criados pela crise econômica mundial, o aumento de impostos em massa, o aumento das regulamentações, e a inflação aumentando ajudou a centro-direita chegar ao poder em 1976, quebrando 44 anos de governo ininterrupto da Social Democracia .

Os partidos de centro-direita não estavam dispostos a praticar reformas de livre mercado, e enfrentar os problemas econômicos existentes, incluindo a inflação e ciclos de desvalorizações . Por esta razão, e porque os três partidos da coligação - o conservador Partido Moderado, o Partido Liberal e o Partido de Centro - não foram capazes de chegarem juntos em um acordo sobre a política econômica para o País, os social-democratas voltaram ao poder em 1982.

As expectativas inflacionárias e, assim, reivindicações salariais permaneceram elevados. E em 1985, o Governo decidiu liberalizar os empréstimos bancários. Embora esta reforma era necessária para melhorar a alocação de capital, que teve efeitos colaterais desastrosos dado o fato de que, no momento, as taxas de juros reais estavam muito abaixo de zero . Isso causou uma enorme expansão do crédito, o que ajudou a agravar ainda mais a inflação de preços ao consumidor ao mesmo tempo, ou seja, resultou em uma bolha imobiliária .

Depois de Palme ter sido assassinado por um desconhecido, em Fevereiro de 1986, pragmático Ingvar Carlsson tornou-se Primeiro-Ministro. Preocupou-se com o crescimento sueco, o governo Carlsson implementou uma série de reformas de livre mercado. Entre eles estavam o levantamento de todos os controles de moeda corrente em 1989 e uma reforma fiscal que reduziu drasticamente as taxas de imposto marginal (embora também um reduzido número de deduções, incluindo descontos para pagamentos de juros). Embora essas reformas têm indiscutivelmente contribuido para a melhoria a longo prazo, o desempenho econômico da Suécia em 1990 não foi bom .

Entretanto, quando a economia começou a abrandar de forma significativa no final de 1990, após uma série de medidas de aperto, a inflação de preços ao consumidor desacelerou . Com a combinação de taxas de juros elevadas, reduçao da tributação sobre ganhos de capital (e, com as deduções reduzidas para pagamento de juros) e inflação em queda, a taxa de juro real começou a aumentar significativamente, contribuindo para acabar com as bolhas nos preços dos ativos. No topo de tudo isso veio o choque do preço do petróleo após a invasão de Saddam Hussein do Kuwait e de um abrandamento econômico dos principais parceiros comerciais, como os Estados Unidos, o Reino Unido e Finlândia. O resultado final foi que a Suécia entrou em recessão no final de 1990.

Como a Suécia caiu em uma recessão e seu saldo orçamental altamente desfavorável o governo começou a deteriorar-se rapidamente, a confiança dos investidores com o esquema sueco de câmbio fixo, começou a deteriorar-se rapidamente.

Ao contrário do passado, o governo estava decidido a não desvalorizar, por isso eles não tiveram escolha, para defender a moeda, aumentando as taxas de juros. Mas, como os especuladores de moeda sabiam que esses níveis de taxa de juro não poderiam ser sustentados, eles renovaram seus ataques . O resultado final foi que as taxas de juros foram empurradas até os níveis de dois dígitos em duas vezes - depois de ter sido negativa apenas alguns anos antes. Que por sua vez, aprofundou ainda mais a recessão.

A taxa de desemprego na Suécia é só 5-5,5%, mas este número é extremamente enganador, já que inclui apenas um pequeno número de pessoas que o governo não paga para trabalhar. Muitos desempregados são enviados para os chamados "atividades de trabalho" - atividades cujo único propósito é reduzir a taxa oficial de desemprego.

Se ignorarmos essa artimanha, o desemprego é de 8%. E se você incluir também o enorme número de aposentados precoces e as pessoas que vivem de subsídios de doença, a taxa de desemprego real é mais de 25%. O número de aposentados de forma antecipada é de 540.000, mais do dobro do número oficial de desempregados. Entre os imigrantes não-ocidentais, a taxa de desemprego real é superior a 50%.

Durante os anos mais recentes, no entanto, o crescimento acelerou significativamente na Suécia. Em certa medida, isso reflete a retomada cíclica global, mas há também um fator interno sueco no trabalho aqui, o que ajudou a empurrar o crescimento sueco superior em relação da maioria dos países europeus.

A política monetária parece até agora ter sido muito mais bem sucedida . A desregulamentação e o aumento da concorrência em diversos setores nos últimos anos, a inflação de preços ao consumidor tem sido bastante baixo, de fato abaixo de 2% na maioria das vezes. Os preços dos alimentos, por exemplo, estão diminuindo devido ao aumento da concorrência, como as cadeias Lidl, Netto, e Willys, que reduziram os seus preços para manter os seus clientes.

Porém, a base monetária subiu 11,5% na Suécia no ano até maio, ainda maior do que os 8,9% vistos na zona do euro. É a aceleração dramática da inflação monetária, em 2005, que tem impulsionado o crescimento sueco temporariamente . O calendário deste boom, deve-se notar, muito conveniente para o Partido Social-Democrata e seus aliados parlamentares, o Partido Verde e o Partido da Esquerda Comunista, dado o fato de que eles enfrentam uma eleição deste ano em setembro.

Finalmente, este boom artificial terá de chegar a um fim, e apesar da crise que se seguiu provavelmente não será tão profunda como no início de 1990, o crescimento aparentemente impressionante da economia sueca certamente será revelado como uma fraude - assim como toda a história do sucesso do modelo sueco econômico que é também uma fraude.



Autor : Stefan Karlsson é um economista sueco .

Tradução : Djalma Rocha .