10 de junho de 2008

Ensaio - "Teoremas" de welfare economics da Escola Austriaca

Esses "teoremas" que estou postando são basicamente as conclusões da teoria econômica austríaca em relação a economia do bem estar (welfare economics). Essas conclusões são formuladas dentro da idéia de ótimo de pareto. O que significa essa idéia? Que uma alocação de recursos escassos é considerada ótima quando todas as possibilidades de ganho mútuo são esgotadas, ou seja, quando não existe uma alocação onde um agente prefira uma alocação diferente da alocação atual e onde os outros agentes sejam pelo menos indiferentes em relação a alocação atual. Com base nessa idéia de alocação ótima, podemos ver que aplicando a teoria austríaca a economia do bens estar podemos tirar alguns teoremas, eles são os seguintes:

1- Qualquer equilíbrio geral é ótimo. Ou seja, qualquer situação onde todos os agentes traçam planos de ação com base em suas expectativas de possibilidade de troca que sejam ótimos (não precisam ser modificados ao longo do tempo, porque erros não são descobertos) é uma situação onde não é possível melhorar a situação de um agente sem piorar a situação de outro agente. Os agentes ofertam e demandam com base em preços paramétricos, ou seja, preços que eles tomam como dados.

2- Qualquer alocação ótima é algum equilíbrio geral (ou seja, algum equilíbrio em relação a um sistema de preços). Isso significa que a partir de uma distribuição aleatória de bens em relação aos agentes temos que qualquer alocação ótima possível a partir dessa situação inicial é também um equilíbrio em relação a alguma constelação de razões de troca oferecidas e demandas no mercado.

*esses dois teoremas são da teoria de equilíbrio geral, mas também são parte da teoria de processo de mercado, servindo de base para os teoremas com alguma relevância para a realidade econômica:

3- Qualquer alocação não ótima num sistema de complexidade finita com agentes (empresários) com capacidade de percepção finita (ou seja, que são alertas num grau limitado) nunca será ótima, ou seja, com o passar do tempo ela nunca atingirá uma alocação ótima (devido a impossibilidade de se atingir o equilíbrio geral, devido ao fato de que num desequilíbrio o agente não antecipa as conseqüências de suas ação sobre os dados do mercado, o que significa que os dados do mercado mudam de forma não antecipada, deslocando a faixa de equilíbrios gerais possíveis). É apenas uma aplicação da noção que existe uma impossibilidade na existência do equilíbrio geral (que não é de welfare economics) numa situação realística (agente com capacidade finita de percepção).

4- Qualquer alocação não ótima possuí um potencial de lucros, ou seja, existem lucros que podem ser auferidos através de trocas. Os lucros possíveis são determinados pela diferença entre a quantidade de bens sob propriedade dos agentes e a quantidade de bens sob propriedade dos agentes em que eles sejam indiferentes em relação a primeira quantidade, mas que essa alocação dessa quantidade menor de bens iguale as taxas marginais de substituição desses bens. Ou seja, é a quantidade total de bens que os empresários (separados analiticamente dos proprietários dos bens para possibilitar o entendimento de sua função) podem "sugar" dos proprietários através de sua capacidade de percepção. Num equilíbrio geral essa quantidade é zero e a situação é ótima.

5- Qualquer alocação não ótima de complexidade finita (preferências e bens) com empresários com capacidade de percepção ilimitada converge instantaneamente para uma alocação ótima e a totalidade dos lucros potenciais é capturada pelos empresários. O sistema converge instantaneamente para um equilíbrio geral. Como temos um infinito de equilíbrios possíveis, o equilíbrio atingido nessa situação é determinado pelas capacidades relativas de percepção dos empresários.

6- Teorema da impossibilidade do socialismo. - Num sistema de complexidade finita onde apenas um agente tem a liberdade de agir como empresário e onde esse agente seja proprietário de todos os bens, ou pelo menos os bens de ordem mais elevada do que a primeira, a tendência coordenativa do sistema é determinada unicamente pelo grau de capacidade de percepção do agente (grau com que o agente está alerta). Se multiplicarmos a complexidade do sistema continuamente (numero de agentes, preferências, bens) as tendências coordenativas se tornarão insignificantes e no limite vão tender a zero. Nesse caso ocorrerão tantas mudanças não antecipadas nos dados do sistema, e como a tendência equilibrativa do sistema é nula, que ele vai convergir para um desequilíbrio total e a alocação se afastara com velocidade crescendo do ponto ótimo. O sistema tenderá a cair para o buraco do desequilíbrio.

7- Quanto maior for o grau de liberdade dos agentes em agir como empresários, ou seja, quanto maior for a quantidade de empresários analíticos e maior for a liberdade de utilização do sistema de preços, maior será a tendência de convergência para o equilíbrio geral e maior será a velocidade de correção das ineficiências existentes, geradas pelos dados iniciais ou pela modificação não antecipada dos dados do mercado.

Nota-se que teoria austriaca contém uma "welfare economics" muito mais substantiva que a economia neoclássica tradicional. Já que além de lidar com situações de plena coordenação, ela lida com processos de coordenação.

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